quinta-feira, 23 de agosto de 2012


Um mate pra ela...
                                                                 
Cada vez que cevo um mate nestas tardes de aguaceiro,
Tem teu gosto, tem teu cheiro com pitadas de solidão...
E o silêncio que castiga nestas horas, que me invade,
Traz pontaços de saudade para este rancho coração;

Cada vez que esta cuia se acomoda nos meus dedos,
Tem guardado algum segredo que foi teu e hoje é nosso,
Pelas horas madrugueiras na frieza de outro inverno,
Sei que sonhos são eternos, mas carrego os que, posso;
                                  
De onde vem tanta amargura se o mate eu fiz pra ela,
No vazio de uma janela a tua imagem, descortina...
Depois que a chuva empoça, nos meus olhos cansados,
Fica um corpo emoldurado banhando o véu das retinas;

Cada vez que cevo um mate eu te vejo junto comigo,
Tua presença é meu abrigo, traz calor pras invernias,
Se o cheiro do teu corpo é meu perfume e pro galpão,
A carícia de tuas mãos são acalantos às noites frias;
                                                                        
Cada vez que encho o mate no calor desta cambona,               
Há uma ânsia redomona escaramuçando no meu peito,
Uma vontade de te ver no silêncio destas horas...
De sair campo afora e encontrá-la de qualquer jeito;

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